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Mestre Márcio de Deus inspira jovens em Timbó
No último sábado (23/08), a cidade de Timbó (SC) recebeu pela primeira vez o renomado treinador de Jiu-Jitsu Mestre Márcio de Deus, referência mundial na modalidade e responsável por formar campeões dentro e fora dos tatames.
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Primeiro dizer para mim que eu me sinto muito honrado de poder estar aqui com vocês. Quando o Éedder entrou em contato comigo, a gente tá nessa conversa para poder vir aqui já há alguns meses. Eu fiquei muito lisongeado. Eu pesquisei, olhei o projeto. Hoje eu tomo realmente todo um cuidado para poder visitar as academias, tanto para dar palestra como para ministrar seminário. Eu acredito que eu quero ir a lugares aonde as pessoas realmente queiram aprender. Eu vou vou contar um pouco do que eu vivo hoje, vou contar um pouco da minha história e vou ensinar para vocês alguns princípios que eu acredito que são fundamentais para vocês terem sucesso. Hoje a aula de jit pouco diferente e eu vou ser sincero para você, essa é a aula que eu mais gosto.
Ah, meu nome é Márcio de Deus. Hoje eu tenho 45 anos. Ah, eu sou natural de Belém do Pará. Alguém aqui é de Belém do Pará? Tem uma galera aí, né? Terra boa, galera do Takaká. Muito bom. Eu moro no Rio de Janeiro há 44 anos. Hoje eu sou responsável de uma academia. Eu sou head coach da Infight Brasílian Jitsu. Eu tenho um projeto social chamado Instituto Tem the House. Ah, ontem nós batemos a incrível marca na nossa matriz lá na Cidade de Deus. Ah, de 250 alunos matriculados treinando mensalmente na academia. Além da minha academia matriz, nós temos mais 16 filiais espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Duas academias nos Estados Unidos da América, uma academia em Lisboa, Portugal.
Temos um time de competição realmente bem grande. Acredito que alguns de vocês aí, principalmente a galera que compete, conhece alguns deles, estão entre os principais nomes hoje do jiu-jitsu mundial. Entre elas, a atual rainha do Jitsu, 10 vezes campeã do mundo, a Gabriele Pessanha, começou a treinar comigo com 10 aninhos de idade e hoje a maior estrela do Jitsu. Ah, uma menina que realmente mudou de vida, mudou. a geografia que ela mora mudou a vida da família dela através do esporte. A nossa academia hoje é uma academia muito legal. a minha onde eu fico, né? A TMD House da cidade de Deus. Para quem não conhece, Cidade de Deus é uma das quatro maiores favelas do Rio de Janeiro. É uma comunidade, infelizmente, dominada pelo tráfico de drogas, aonde a violência, a desigualdade social é algo absurdamente grande. Quem ainda não foi, eh, vocês não têm noção. Ah, eu cheguei aqui em Timbó, né? Eu vou e viajo muito. E eu fui dormir, eu demorei para dormir de tanto silêncio que era, de tanto silêncio. Eu não tô acostumado com isso
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não. Lá no Rio de Janeiro, na cidade de Deus, eh, 10 horas da noite é dia ainda. É barulho o tempo todo, música alta o tempo todo. E você não pode reclamar, não pode falar nada, não tem muito o que fazer. Bale funkça à 10 da noite, vai até 10 horas da manhã do outro dia. É uma realidade muito diferente. Hoje a nossa sede é uma academia bem legal. Eu até conversei com o professor Éder, ah, dos meninos quando forem fazer o seu camp, tá aberta as portas da academia no Rio de Janeiro para vocês passarem uma semana lá com a gente. Hoje a academia, poxa, dois andares, tatami um e tatami do vestiário, lanchonete, área kids, área de lazer, escritório, sala de reunião, sala de aula. Ah, no Rio de Janeiro todo mundo sabe que faz muito calor, né?
45º no verão lá é uma coisa muito normal, 40º à noite. E quando a gente abriu lá, eu falei: "Cara, isso vai acabar." E hoje a nossa academia tem ar condicionado, tem conforto. Ah, hoje eu vivo os meus sonhos. Eu já estive nos Estados Unidos da América 41 vezes. Já fui pra Europa 18 vezes. Ah, já visitei 62 cidades com essa hoje, 62 cidades do Brasil. O jiu-jitsu mudou a minha realidade e eu vejo o jiu-jitsu mudando a vida de muita gente, de muita gente, absurdamente. E não só porque é campeão, por n coisas que eu vou mostrar para você aqui hoje. Então, hoje as pessoas me conhecem das redes sociais e elas não sabem que existe uma história por trás da rede social.
E eu quero mostrar paraas pessoas como se sobe degra, como que a gente alcança. Não existe fórmula mágica, mas existe um caminho. Não existe aquele curso que vende na internet que você que as pessoas vendem ensinando a você a ser um vitorioso. Isso não existe. Existe trabalho, existe dedicação, existe renúncia. Hoje eu tô muito realizado com o meu trabalho, muito realizado, muito realizado. Eu vivo o melhor momento da minha carreira como professor, meu melhor momento como gestor. Eu nunca experimentei as coisas que eu experimento hoje. Eu nunca comi nos lugares que eu como hoje. Eu nunca viajei pros lugares que eu viajo hoje. E tudo isso é muito glamuroso.
Isso enche os olhos. Vocês que estão competindo, eu imagino que vocês querem ter uma vida boa. Vocês estão trabalhando para isso. Vocês querem ser campeão do mundo, vocês querem reconhecimento, vocês querem subir no pódio, vocês querem ter o nome de vocês aplaudido. Não é assim? Eu experimento isso, mas eu vou dizer para você que isso não é o mais importante. Para ser sincero, isso é o que menos importa. Eu vou explicar a você porquê. Quando eu tinha 6 anos de idade, quem é que tem 6 anos? Alguém tem 6 anos? Não. Não tem 6 anos? Caramba. 7 anos. Ah, sete, sim. Tá bom. Seis é quase sete é quase seis. Tá bom. Quando eu tinha 6 anos, ah, eu morava num bairro no Rio de Janeiro chamado Bento Ribeiro. O mesmo bairro da onde saiu Ronaldo Fenômeno também, da onde saiu a Xuxa Meneguel, que eu morava na rua que a Xuxa moravam.
Inclusive, quando eu tinha 6 anos, o meu pai, ele foi embora de casa. foi embora de casa com a melhor amiga da minha mãe. A minha mãe fazia faculdade de enfermagem e o meu pai foi embora, traiu a minha mãe e foi embora. E ele tinha um acordo com a gente, com a minha mãe. Eu vou pagar o aluguel da casa de vocês, vou fazer as compras todo mês. Meu pai era um empreendedor, ele tinha padaria, bares. Passado 3 meses, ah, chegou na nossa porta um oficial de justiça, um funcionário ah do governo municipal com uma ordem de despejo de 48 horas, porque o meu pai não tinha pago 3 meses de aluguel.
E eu, minha mãe, meu irmão mais velho, a gente tinha que ir pra rua com tudo que tinha na casa. E cadê meu pai? Não sei. Até hoje não sei. Então, se você tem o seu pai na sua casa, você é um privilegiado. Com certeza isso vai facilitar as coisas para você. Porque para mim foi muito difícil crescer sem um pai. E a minha mãe, ela precisou dar um jeito. E na época a minha mãe fazia estágio em um hospital em Jacaré Paguar. E uma amiga dela disse para ela assim: "Olha, eu tenho uma casa no meu quintal que vai servir para vocês nesse momento." E nós fomos para essa casa.
E minha mãe teve que se desfazer de tudo que tinha na casa, porque nós fomos morar em um barraco de madeira. 4x4, 4 m por 4 m. Madeira, madeirite, uma ripa bem fininha. O chão era barro, terra, tinha minhoca. A telha telha de amianto que inclusive tava quebrada. E o banheiro do barraco, e eu lembro bem disso, o banheiro do barraco era uma cortina de pano com um balde de maionese. Eu, minha mãe e meus irmãos fomos morar nesse barraco e moramos nesse barraco durante muitos anos. E aonde era isso? Na cidade de Deus, na beira do valão. O pessoal chama de rio. Aqui em Timbó tem rio.
Lá no Rio de Janeiro tem rio não. Rio só no nome. Lá tem vala, vala negra, onde tem esgoto, aonde passa fees, urina, bicho morto. Inclusive onde os traficantes jogam os corpos das pessoas que eles matam. Era na beira da onde a gente morava. E eu e meu irmão mais velho não tínhamos idade para trabalhar. E eu a gente morava ali quando chovia, chovia dentro de casa. Eu acordei várias vezes com barato em cima de mim. Eu lembro que eu ia pra escola, eu estudava em escola municipal. Não sei se aqui funciona assim, escola municipal, escola estadual, funciona assim lá no Rio de Janeiro, escola municipal até o ovo ano e depois a escola estadual. É aqui assim também. E eu tinha muita vergonha de ir pra escola e eu conto isso porque são coisas que marcaram a minha vida e marcam até hoje.
Quem aqui tem 16 anos? 16. 16. Muito bom. Você tem tênis? Tem tênis? Quem é que vai pra escola de tênis? Graças a Deus. A primeira vez que eu fui pra escola de tênis, eu tinha 16 anos. E eu confesso para você que isso era muito ruim para mim. Eu precisava mentir. Os antigos aqui vão lembrar. Lembra do Mercúrio cromo? Aquele que passava em machucado vermelho. Quem lembra disso? São os antigos. Isso. E eu pegava o mercúrio cromo e passava assim no meu dedão. Para quê? para quando eu chegasse na escola, as pessoas me perguntavam por que eu tava de chinelo. E eu falava que eu tava com dedo machucado, só que o meu dedo não curava o ano todo.
E eu fui muito zombado por isso. O que hoje chamam de bullying na minha época era muito pior. Hoje o bully é chamar você de gordinho. gordinha, bonitinha, fofinha, não tem problema nenhum, tá tudo bem. na minha época era muito pior e eu tive que conviver com isso. Passou alguns anos, a minha mãe teve um novo casamento, teve mais dois filhos e eu tive a oportunidade de fazer uma prova na escola para trabalhar numa multinacional, para fazer um curso e trabalhar. Hoje tem jovem aprendiz, tem aqui também jovem aprendiz. Na minha época não era muito jovem aprendiz, mas funcionava. E eu comecei a trabalhar para ajudar minha mãe com meus irmãos, porque, infelizmente, o segundo casamento da minha mãe, ah, passou por problemas sérios, porque o meu padrasto, ele era viciado em drogas.
E, infelizmente, a minha mãe, ah, também não deu continuidade a esse casamento. Minha mãe teve uma vida muito sofrida. Ah, e adolescente. E eu não sei se eu acho que só lá no Rio. Aqui ninguém pensa assim. Adolescente sempre acha que tá certo, né? É assim ou não é assim? Ah, você acha que você tá sempre certo? Mais ou menos, né? Quase sempre. Entendi. Tá certo. Eu sei. É assim mesmo. E eu achava que se eu saísse de casa ia ficar tudo bem. Ah, não vejo a hora de sair de casa. E quando eu tinha 17 anos para 18, ah, eu comecei a namorar. Ah, e eu namorei, e casei bem rápido, até porque a gente namora para casar. É ou não é? É assim. Não tem alguém que namora aqui? Você namora?
Não. Você namora? Ninguém namora aqui. Quem namora escondido não precisa levantar a mão. Os pais não vão saber não. Fica tranquilo, tá? Não vou entregar vocês não, mas a gente namora para casar. A gente namora com propósito. Esse é o certo. Tudo que falarem para você fora disso não é verdade e pode te atrapalhar para caramba. Eu vivo essa realidade lá na cidade de Deus de ter, eu vou abrir um parêntese aqui, quando eu falo sobre namoro para adolescente, eu levo esse assunto muito a sério, porque infelizmente muitos talentos, muitas pessoas com futuro brilhante deixaram de ter esse futuro porque aos 15, 16 anos estavam grávidas. E o menino com 16, 17 anos teve que largar tudo para procurar o emprego, para sustentar uma família que ele nem sabia o que que era.
Essa é uma realidade muito cruel. Então, não é tempo de namorar, é tempo de estudar, de treinar, de sonhar, de querer fazer faculdade, de querer morar fora do país, de querer ter uma vida diferente. Você só pode pensar nisso. Não pense em outra coisa. E aí, voltando pra história, ah, com 18 anos eu casei, porque eu queria sair de casa, queria ter a minha vida, eu achava que ia ser melhor, mas não foi, não foi. Pô, Márcio, sua história é uma história de chorar. Caramba, desculpa, pessoal, mas vai melhorar. Com 18, com 6 meses de casado, a minha esposa Gisélio, ela descobriu uma enfermidade chamada lupos eritrimatoso.
Alguém conhece? Conhece? É uma doença degenerativa dos sistemas. É uma doença que não tem cura, tem tratamento. Ah, fizemos os tratamentos, fizemos todos os processos e eu fiquei sempre ao lado dela o tempo todo. Mas infelizmente a doença ela foi se agravando. Inclusive num caso raro, geralmente ah o lupus ele começa a ficar grave ah depois dos 40 anos. com a Gisele com 20 anos já tava muito grave, ela já tava fazendo hemodiálise e tinha que fazer pulsão pulmonar para tirar o líquido do a pleura da membrana que envolve o pulmão. Ah, o meu casamento era dentro do hospital.
Eu passava um mês em casa, 3 meses no hospital, dois meses em casa, se meses no hospital. Infelizmente, 5 anos depois do casamento, a Gisele faleceu. Ah, faleceu dia 15 de abril, um dia antes do meu aniversário. E eu estava lá. Quem aqui casou? Casou na igreja, no papel. Tem uma frase muito bonita, né? Hoje eu celebro casamentos, pessoal. os meus alunos que casem, casam, fazem questão que eu faça a cerimônia e eu faço com certeza, né? Fiz o curso de Juiz de Paz. Então, eu choro mais do que eles, mas eu faço casamento. E a frase que eu mais gosto de falar é a frase que marcou muito a minha a minha vida no meu primeiro casamento. Na alegria e na tristeza ou até que a morte me separe. Eu vivi isso porque eu estava lá ao lado dela até o último suspiro.
Eu estava lá. E foi muito difícil para mim, pessoal, porque com 20 e pouquinhos anos eu já tinha vivido uma avalanche de situações contrárias, difíceis, morando na favela, aonde as ofertas para você ter uma vida melhor é muito grande. E eu tive muitas delas para fazer coisas erradas, para se envolver em coisas equivocadas, para usar coisas que não deveria usar. Foi quando eu lembrei de um fato na minha adolescência. Eu fui a uma academia de rio Jos, eu fui, sentei, assisti a aula. Professor conversou comigo, falou: "Cara, você é grande, tem jeito, vem treinar". Falei: "Pô, professor, não tem dinheiro para pagar mensualidade, não. Muito menos para comprar." Quando ele falou o preço do kimono, eu falei: "Senhor, pode falar o preço do kimono para mim falar pra minha mãe?" Quando ele falou o preço do kimono, eu nem falei pra minha mãe.
Como que eu ia falar pra minha mãe? Eu não lembro muito bem se era R$ 150. Gente, como é que eu vou falar pra minha mãe? A gente morando num barraco de madeira, minha mãe recebendo salário de estagiária, eu recebendo salário de estudante, ajuda de custo. Como é que eu ia falar para ela que ela tinha que dar R$ 150 para comprar um kimono e na cabeça dela para ficar se agarrando no tatame? Eu nem falei. Falei: "Tá bom, professor, valeu". E o que eu fazia? Eu ia assistir a aula. Eu sempre saía da escola, entrava na academia, ficava sentado assistindo a aula e o tempo passou. E quando a Gisele faleceu, falei: "Caramba, eu preciso, preciso mexer, porque tá muito difícil para mim". Eu comecei a ter problemas psicológicos, problemas de saúde e eu voltei pro jito.
Mas eu voltei daquele jeito, treinando de manhã, de tarde e de noite. Na hora do intervalo eu treinava, na hora do almoço eu ia pra academia. E no sábado, quando não tinha treino, eu chamava todo mundo, vamos treinar. Domingo treino, eu comecei a me dedicar absurdamente ao esporte e aquilo foi salvando a minha alma. Eu comecei a respirar de novo. Eu comecei a ver que a vida tinha sentido para mim e eu comecei a competir muito, muita coisa. Competi muito. Meu professor falava assim: "Pô, mas eu não posso ir." Pois tem problema não, professor. Pode ficar tranquilo aí que eu vou assim mesmo. É onde? Eu botava mochila nas costas e ia, chamava um colega e ia. Todo o meu salário era de git. Eu me dediquei muito, muito, muito, muito. Nunca fui um grande campeão, mas eu sempre ganhava medalha de bronze.
Quem que tem medalha de bronze? Não tinha mais do que eu, porque na minha chave só tinha três. Aí a medalha de bronze era certa. Aí eu chegava no trabalho com a medalha, ganhei medalha. Mal sabe os caras que eu tinha perdido as duas lutas, mas eu tinha ganhado a medalha. Mas aquilo me fazia feliz, aquilo fazia me sentir vivo, aquilo dava alegria para mim. Eu comecei a me dedicar muito, ajudar meu professor na aula e ganhei respeito das pessoas por causa do meu comportamento. Nessa época eu já estava frequentando uma igreja e eu não quero de forma alguma falar de aspectos religiosos. Por favor, eu respeito absurdamente todo mundo. Contudo, eu jamais vou negar aquilo que eu acredito. Eu acredito muito em Deus, pessoal. Muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito. Jesus Cristo é absolutamente tudo na minha vida. Tudo que eu faço é para que Jesus Cristo seja aplaudido, honrado, reverenciado.
Isso não é sobre religião. Tudo bem? Tudo bem para vocês? Tudo bem. Ah, e por causa do meu comportamento, da minha postura, da minha dedicação, as pessoas me procuravam. Márcio, bota um treino. Falava mais comigo do que com o professor. E um dia o pastor da igreja que eu frequentava falou assim: "Mácio, você tá de faixa roxa? Por que que você não dá aula aqui na igreja pras crianças da rua?" Gente, só que a rua que ele falou era um dos piores lugares da favela. Tinha muita criança e só tinha fio desencapado. Sabe o que que é fio desencapado? Quem trabalha com eletricidade com obra aqui? Alguém trabalha com obra? Não. Caramba, gente. Quando você encosta dois fios desencapados, o que que acontece?
Sai fogo, né? Então, as crianças da cidade de Deus é tudo assim, só fio desencapado. É sério. Eu vou contar para vocês. Vocês acham que a Gabi é uma estrela, né? Vou contar algumas que ela já aprontou quando ela era criança. Subir em telhado de ginásio, explodirador de luz com pipa, tomar hambúrguer dos outros que tava lanchando porque ela não tinha dinheiro e ela era maior. Esse tipo de coisa que ela fazia quando ela era a menor. Me deu muito trabalho. E o pastor falou para mim assim: "Márcio, eu tenho um lugar maravilhoso, porque pastor padre, você tem um discurso para cima, né, para te botar para cima. E ele, eu tenho um lugar maravilhoso pra gente dar aula." Aí eu falei: "Poxa, vou falar com o professor". Aí o professor deixou da aula e eu lembro que eu eu pisando aqui, esse tatame é de vocês, né? é de vocês.
Sempre treinaram com tatame assim? Eu lembro que quando eu comecei a dar aula, eu fui numa padaria. Ah, e eu peguei 10 caixas de papelão e colei elas uma do lado da outra com fita durex. E aquele foi meu primeiro tatame. Durante do anos nós treinamos em cima do papelão. Naquela sala, aquela sala abominável, parecia uma caverna. E o banner ali muito bonito, né? Eu gosto de banner na parede. E é um sonho, né? Tu ter um banner, uma bandeira. Eu tenho essa foto, eu postei até recente. Eu fui numa lan houseous, aqui tinha lan houseous. L Houseous, galera da antiga aí do MSN, do Orcut. Eu tô velho, galera. Tá rindo, digo. Tá velho também.
Tá até careca, cara. E eu fui na LAN, tá rindo da careca dele. Você é mole, hein? Não tira a foto dela não. Eu eu fui na lan house e eu pedi para imprimir uma folha escrito um fight, que era o nome da minha academia. E eu botei na parede e eu pag e eu não tinha dinheiro para pagar. Eu falei: "Ó, tu vai imprimir, mas eu vou pagar só no dia 5 no pagamento." E eu botei na parede e tirei uma foto. Timuna azul, cronômetro no pescoço, faixa roxa e calça branca. Horroroso, né? Parecia um palhaço. E foi a minha primeira academia. Eu falei: "Agora tenho academia". E eu achava que eu tinha uma academia. Rio laser, spectro laser, super top.
Eu falei: "Agora não tem aluno? Eu fui pra rua chamar as crianças. Vem treinar, Jit, vem treinar." E tinha criança, né, de comunidade. Tá maluco, tio. Ficar se agarrando aí. Sou não, tá doido. Eu fui chamando, chamando, chamando. Começamos as aulas duas vezes por semana. Daqui a pouco foi para três meses por semana e eu dava aula de 5 às 6, de 6 às 7, de 7 às 8, de 8 às 9, de 9 às 10 para poder caber na salinha. Eu falei: "Não dá mais, pastor, tem que comprar tate." Falei: "Mas, se você comprar, eu fui falar com ele na esperança dele comprar, né? E eu tinha um amigo que tinha um cartão de crédito. A gente sempre tem um amigo, né? Quando a gente é bem pobre, a gente sempre tem um amigo que tem um cartão de crédito.
E eu falei: "Cara, tu tem que me ajudar, velho. Preciso comprar tatame". E eu fui pesquisar um tatame e eu achei um tatame que a placa custava R$ 39. Eu falei: "Caramba, é esse. Vamos comprar 20 placas. E aí tu parcela 80.000 vezes." Ele: "Tá bom, compramos. Fui buscar. Quando eu cheguei lá, era um tatame de 10 mm de escola, de yoga, desse finura assim, R$ 39. Eu falei: "Tá bom". Botei lá e era legal porque era no cimento e aí quando alguém caía subia aquela fumaça, era efeito especial, né? Subia assim aquela poeira assim. E tinha criança que se jogava de propósito só para subir a poeira. E eu fiquei dando aula ali e a salinha aqui do lado.
Em 2 anos eu tinha 150 alunos. Eu era a maior academia da da região, 2 anos. E eu falei assim: "Cara, eu não tem jeito. Eu tinha um filho que tinha acabado, eu tinha casado de novo 3 anos e 6 meses depois do falecimento da da Gisele. 3 anos, 6 meses e 22 dias, para ser mais exato. Eu encontrei a Tatiane. E tem alguém aqui que tá para casar? Não, tá namorando? Tem alguém namorando para casar? Noivo? Tem alguém que tá aí? Um só. Um. Dois. Boa. Tu achou alguém, cara? Deus foi bom contigo, hein? Escuta essa.
Ah, esqueci o nome da senhora. Primeira dama. Esqueci o nome da senhora. Raquel. Escuta essa dona Raquel. E eu vi a Tatiane no ponto de ônibus e eu tinha muito medo de me relacionar com outra pessoa, porque na minha cabeça eu ainda estaria traindo a Tatiana, a Gisele. Então eu me resguardei, eu só treinava, eu não me preocupava com isso. Na verdade, na minha cabeça eu não queria mais ter relacionamento. E o pastor Mar tem que casar, cara. Pô, teu trabalho tá crescendo, pô. Você é professor, pô. tem que ter alguém do teu lado. E paralelo ao judits eu comecei a fazer faculdade de teologia. Eu ganhei uma bolsa numa grande universidade do Rio de Janeiro e eu sou bacharel em teologia. Fiz mestrado também em liderança. Pô, foi uma coisa que me ajudou muito.
Ah, e eu vi a Tatiane assim, eu falei: "Caramba, que que eu faço? E aí no Orcut ela me olhou também, ela ela mandou uma mensagem para mim me convidando para um culto na igreja dela. Quando ela mandou esse convite, eu falei: "É essa me chamou para ir pra igreja aí. Só que uma semana antes tinha um uma reunião na nossa igreja de jovens. Eu falei: "Olha, eu vou na sua igreja se você for na minha". E aí uma pessoa muito famosa que pregava, ensinava para jovens, ia na minha igreja e eu convidei ela. E quando eu chego na igreja para arrumar, né, para ajudar, o pastor fala assim: "Mácio, o rapaz que ia vir pregar não vai vir mais".
ligou, teve um imprevisto, então a gente resolveu que é você que vai pregar hoje. Eu falei: "Mas logo hoje eu tô com esquema todo armado. Eu já falei com o rapaz do cachorro quente, eu comprei perfume, camisa nova, eu tô preparado para para tentar alguma coisa. Beleza. E eu falei para ela: "O quê? Olha, vai vir um cara pregar. O cara é muito bom. O cara é inteligente, o cara é incrível, o cara é maravilhoso, todo mundo gosta dele. E aí, quem foi que pregou o máximo? Ela olhou para mim, um só autoestima é alta, né? Falei: "Mas não era eu, era ela. Sei." Eu falei assim: "Eu posso te levar em casa?" Aí eu saí com ela de mão dada, né, cavalheirismo. Aí o pastor olhou para mim, fez assim, vamos embora. No meio do caminho da onde ela morava, que hoje inclusive é a minha casa. Olha que coisa. Eu falei para ela assim, eu fui, eu não falei nada, né? Eu fui calado.
Eu fui calado, né? Com vergonha. E eu falei assim: "Tatiane, eh, então eu sou viúvo, ah, eu gosto de jiu-jitsu, eu sou fluminense e eu quero casar. Você quer casar?" Primeiro encontro, ela olhou para mim: "Casar?" Eu falei: "É casar". Eu não posso namorar, eu quero casar. Você quer casar? Ela: "Mas assim, tem que responder agora". Eu falei de preferência até a segunda. Meu Deus. É, meu Deus mesmo. Tá assustada, né? Quando nós temos boas intenções no coração, quando o nosso coração está voltado para o bem, para aquilo que é correto, tudo dá certo.
Até aquilo que era para dar errado dá certo. E a Catiane na segunda-feira, podemos conversar? Eu posso ela? Então, mas eu faço faculdade, sou filha única. É minha mãe quer te conhecer. Eu falei: "Tudo bem". Fui lá na casa da mãe dela, falei assim: "Dona Janete, nome da minha mãe também, então eu quero casar com a Tatiane, a senhora me dá a mão da sua filha." Foi a única coisa que eu falei com ela. Eu falei: "Ó, eu tenho casa, tá montada, tem tudo, tem mobília, tem tudo. Ela só precisa ir para lá com a roupa dela, tá tudo certo." Ela: "Olha, esse menino tá tá em três meses a gente namorou, noivou e casou. Estamos casados, vai completar 18 anos, temos três filhos e eu sou extremamente feliz no meu casamento. Ah, e eu botei a academia em cima da minha casa. Eu tenho um terraço e eu criei uns tapumes e a gente fazia academia na minha casa.
Eram oito aulas por dia para poder dar todo mundo. E eu trabalhando, fazendo as coisas. E eu vou caminhar agora, vou encurtar um pouco para não ser tão demorado. Ah, eu tava vindo aqui para Florianópolis arbitrar um campeonato e dar um seminário, porque eu tinha um desafio, alugar um ônibus pro campeonato brasileiro de git de crianças. O ônibus custava R$ 7.000. Eu ia arbitrar um seminário para tentar levantar pelo menos a metade do recurso para pagar o ônibus. E quando eu estava ah numa parada do ônibus, eu vim de ônibus para economizar, uma pessoa me mandou uma mensagem no Instagram falando assim: "Professor Marcos, uma mensagem muito formal. Eu acompanho o seu trabalho há 6 meses e eu gostaria de lhe ajudar e o seu projeto.
O que o senhor está precisando?" Eu olhei, eu recebo às vezes essa mensagem. Aí eu mandei a mensagem, preciso alugar um ônibus pro Campeonato Brasileiro Crianças. A pessoa de imediato respondeu: "Quanto custa?" Eu falei: "Ó, não tem porque eu estou indo dar um seminário, eu vou arbitrar". Eu tinha combinado de arbitrar. No árbitro funciona assim: Você arbitra uma hora, descansa 1 hora. Árbitro 1 hora, descansa 1 hora e você ganha uma diária de árbitro. No meu caso, eu ia trabalhar 2 horas e descansar uma hora. Eu ia triangular para poder receber um salário maior e ia dar o preminário. Eu falei: "Não sei quanto eu vou receber. Quando eu receber, eu vou saber quanto falta. E aí eu te falo". Ei, ok, te aguardo. Quando eu estou voltando no ônibus, no domingo à noite, o cara me mandou uma mensagem nova: "Professor, e aí, quanto falta?" Eu falei: "Pô, esse cara quer me ajudar.
Aí eu falei: "Cara, falta, sei lá, 4.000". Ele: "OK, me passe uma conta". Aí eu fiquei assustado. Quem é que tem aquela conta poupança da Caixa Econômica que não tem tarifa, aquela bem antiga, lembra? Que tirava na loteria? Essa poupança era boa, né? Viu que eu não tô velho sozinho não, vocês também tão. Eu falei, vou passar essa conta porque se for golpe não tem nada na conta mesmo. Então tá tudo bem, né, gente? 5 minutos depois o dinheiro tava na conta. E eu cheguei na segunda-feira, o ônibus, mandei o comprovante para ele. Ele falou assim: "Professor, não te pedi comprovante, mas eu percebo que o senhor é um cara honesto. Eu gosto do seu trabalho. Posso te ligar?" Eu pode. Dei o telefone, o número de fora do país.
E aí aquilo me chamou atenção porque eu olhei, era um negão grandão e eu falei assim: "Será que esse cara é gay? Esse cara tá me mandando mensagem toda hora, tô assustado." E eu atendi ele. Ele falou assim: "Professor, o seguinte, vou ser muito sincero pro senhor. Seu trabalho é muito legal, o senhor faz muito campeão aí. E a partir de hoje eu quero lhe ajudar. Eu estarei no Campeonato Brasileiro. Vamos falar pessoalmente. OK. Fui pesquisar o nome do cara. Que susto, pessoal. Que susto. O cara tem um banco, uma rede de universidade, uma rede de hotel. O cara é envolvido com vários empreendimentos, mora na Europa, já saiu na CAS várias vezes, é um empreendedor muito conceituado dentro e fora do Brasil.
Chegou no Campeonato Brasileiro, ele professor o seguinte, e aí tu já sofreu muito, né? Eu falei um pouco. Ele então a partir de hoje tudo vai mudar. Tudo que vocês precisam eu vou proporcionar. Ah, não quero que você trabalhe mais em campeonato, que a gente vai te mandar um salário todo mês. Qual é a tua maior dificuldade? Falei: "Cara, eu não tenho. Academia tá em cima da minha casa". Ele vamos resolver. E mais uma da Gabriele para encerrar. No dia do meu aniversário, dois meses depois dessa conversa, a Gabriele me ligou falando assim: "Mácio, eu caí de bicicleta, vem correndo aqui". Caramba, peguei o chinelo, fui correndo. Quando eu cheguei lá, tinha um um tumulto assim, eu falei: "Caramba, caiu, se machucou e agora".
Ela tinha acabado de ganhar o primeiro título dela na faixa preta. Eu fiquei preocupado, já tava chorando. Cheguei chorando lá. Daí tinha uma moça de perno, bem vestida, com uma chave desse tamanho assim na mão. E ela, tudo bem, professor? Eu gente, que que é isso? Pô, pessoal, me deram susto, não faz isso não. E a Gabriele rindo. Ela, professor, esse prédio aqui aniversário, é seu. Eu ganhei um prédio que custava R$ 350.000, que fez uma reforma de R$ 250.000. E a gente tem uma sede pro instituto, uma academia de primeiro mundo dentro da favela.
As pessoas entram na academia e falam assim: "Cara, não acredito que isso é na cidade de Deus". É, a gente levou a máxima da excelência pra comunidade. E por que que eu conto isso? O que eu quero dizer para você é que você pode tudo que você quiser, desde que você entregue todo o seu coração nisso que você tá fazendo. Quero dizer para você que Deus honra trabalho. E quando Deus decide abençoar e abrir as portas na vida de uma pessoa, não há ninguém, não há nada que consiga dizer não. Eu sou prova disso. Eu tenho muitos campeões na minha academia, muitos. Tem seis campeões mundiais e BJF na minha academia. Seis. São mais de 80 campeões brasileiros CBJ, 16 campeões europeus, 18 campeões pan-americanos.
Eu sou muito realizado como professor. Eu tenho 120 e poucas miles na rede social. Eu já escrevi cinco livros, já dei palestras em universidades, mas nada disso é mais importante do que você ter um coração voltado para aquilo que é o correto. Nada disso é mais importante do que vocês terem um bom caráter, vocês andarem na verdade, vocês honrarem os par de vocês em todas as coisas. A fama, o sucesso, o dinheiro não é mais importante do que fazer aquilo que é o certo. A fama, o dinheiro, o sucesso e a medalha de ouro é consequência de trabalho. Se você trabalhar absurdamente em prol do seu sonho, vai acontecer.
Pode ter certeza disso. Existe uma lei que rege o universo. Tudo que você planta, você colhe. Existe uma frase que rege o meu trabalho chamado trabalho devolve. Hoje eu colho o fruto do meu trabalho e quem tá em volta de mim colhe junto. E quem anda na verdade junto colhe junto. Todas as minhas filiais são faixas pretas formadas por mim, que eram crianças e que hoje são donos de academia. Hoje eu vejo a Gabriele Pessanha, sargento da Força Aérea Brasileira, milionária. A Gabriele fez de premiação no ano de 2025 R 1.500.000 só de premiação. Ela mudou a vida da família dela, tirou o pai do trabalho, a mãe do trabalho, comprou uma casa nova, abriu vários negócios. Ela é empreendedora, ela mudou a região que ela mora. Ela deu emprego para metade da rua dela.
Ela tem 25 anos. Tenho vários alunos que estão fora do país. Meu aluno Víor Mateus, meu primeiro faixa preta, líder da TM House, Califórnia, teve o pai assassinado na porta de casa, a mãe dele doméstica, trabalhando muito para criar os filhos. Vitor foi um dos meus primeiros alunos. Hoje bem-sucedido, mora nos Estados Unidos, bem casado, dois filhos. Segunda-feira eu estou indo pra América, vou lá pra casa dele, que eu vou pro Jitsc, que é o maior evento de jiu-jitsu do mundo, um evento que tá com 12.500 00 atletas, o evento histórico e eu fui convidado para dar um dos seminários no campeonato.
Inclusive vai ter um stand para que eu possa estar lá no campeonato. Sim, o garoto da favela que não levava gente para jits, que não teve pai. Sim, ele deu certo. Não, eu não entrei pras drogas, eu não fiz coisas erradas. Eu escolhi vivi aquilo que Deus tinha de melhor para mim. E vocês podem viver isso também, porque existe um ditado que as pessoas falam que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Na minha academia estamos o para raio porque lá cai raio toda hora, toda hora. Toda hora cai raio no mesmo lugar lá. Toda hora. Ante-ontem eu recebi meus alunos que passaram um mês nos Emirados Árabes com tudo pago. Você viu isso? Legal, né?
Tudo pago. Hotel cinco estrelas. Meninos de comunidade estão vivendo extraordinário. Vocês podem tudo que vocês quiserem, desde que vocês apliquem o seu coração naquilo que vocês estão fazendo. Só que isso não é só sobre os gilitos. Se você aplicar o seu coração, a sua alma, dedicação, disciplina, comprometimento, conhecimento, vocês podem alcançar coisas incríveis. E quem tá falando para você não é um coach que tá querendo vender um curso para você. Eu te cobrei alguma coisa para estar aqui com eles. Hoje Deus me dá essa possibilidade.
Eu quero levar paraas pessoas a mensagem daquilo que transformou a minha vida e que tá transformando a vida de tantas pessoas. Eu ainda não venci. Que isso, Márcio? Eu ainda estou vencendo, mas a minha maior vitória é ver quem tá perto de mim vencendo também. Eu quero mais porque eu sei que Deus pode dar mais. Eu sei que eu posso mais. Enquanto eu viver, eu vou fazer de tudo para levar essa mensagem pro máximo de pessoas que eu puder. Vocês podem tudo que vocês quiserem, mas não esqueçam, tenham caráter, não se envolvam em coisas erradas, não mintam, não sejam desonestos. Falem a verdade, mesmo que a verdade na hora te traga algum prejuízo, mas a verdade sempre prevalece.
Honrem seus pais. Honrem os seus professores. Professor Júnior, professora Raquel, professor Éder. São os três professores dessa. Todo mundo aqui é todo mundo aqui treina com eles. Isso não tem mais professores que não estão aqui. Tão ali, né? Cadê os professores? Cadê os professores? Vem aqui, por gentileza. Qual foi a última vez? Não precisa responder. Acho que você chegou com algum deles sem esperar nada em troca, sem barganha. E aí, professor, o senhor tá bem? Você deu um abraço bem forte nele. Qual foi a última vez que você fez isso? Se você não faz isso, você precisa consertar isso.
Líderes só tem sucesso se tiverem pessoas ao lado deles. Uma vez falaram para mim assim: "Márcio, você tava num campeonato brasileiro e nesse dia do campeonato brasileiro lutou 68 alunos meus no mesmo dia." Você imagina como é que eu fiquei? 68. Eu me urinei na calça porque não deu tempo de ir no banheiro. Eu não almocei, eu tava assado quando acabou o o dia. Meu pé tava pegando fogo, mas nenhum lutou sozinho. Nenhum. Nenhum. Eu ainda briguei com o juiz porque mexe comigo, mas não mexe com os meus alunos. Eles pagam um preço muito alto e falaram para mim assim: "Me filmaram, filmaram eu correndo, fizeram até um meme de um patinho correndo, aí falaram que era eu correndo para um lado, correndo pro outro, gritando para lá, pulando." Aí teve uma hora que eu me jogo no chão assim, respiro, aí alguém me dá uma água, em vez de eu beber água, eu jogo água na cabeça. Eu tava maluco naquele dia.
E aí uma mídia veio fazer uma entrevista comigo no final do dia, eu sem voz e falaram assim para mim: "Márcio, você é um grande general". Eu falei: "Você tá esquecendo de uma de uma coisa? Como assim, moço? Eu posso até ser o general, vou até aceitar, mas eu se sou se eu sou general é porque eu tenho um grande exército do meu lado. Líderes só são líderes porque existe vocês. Professor só é professor porque tem aluno. Mas não se esqueçam, vocês, olha para mim, todo mundo, vocês têm uma responsabilidade de cuidar deles. Muitos dias eles estão aqui dando aula nas suas academias com dor de cabeça, com problema em casa, com conta para pagar, tristes.
Alguns deles às vezes dão aula batidos. chateados, com coração doendo, mas rindo para vocês. E se você tiver um problema, eles esquecem o problema deles para cuidar de vocês. Isso acontece comigo. Vocês têm o compromisso de cuidar deles, de abraçá-los, de beijá-los, de pegá-los no colo. Vocês, os mais velhos, vocês têm a responsabilidade de chegar para ele e falar: "Professor, eu tô vendo que o senhor não tá bem. Pode ir para casa que eu vou dar aula no seu lugar hoje. E aí você vai dar sua melhor aula do mundo, porque você não deu a sua aula, você deu a aula do seu professor.
Isso acontece comigo. Eu tenho mil coisas na cabeça e às vezes a Gabi, o Bolinho, os antigos vai para casa, pode ir. Vai e eu vou chorando para casa, sabendo que eles estão cuidando dos outros. O conceito família é fundamental dentro dos jugitos. Hoje eu falava com o professor Éder, aqui tem muita gente de Belém do Pará. Eu sou de Belém do Pará. Belém do Pará foi onde entrou o jiu-jitsu no Brasil. Primeira academia de jiu-jitsu no Brasil. É em Belém do Pará, na cidade de Ananiua, aonde chegou conde coma e espalhou jiu-jitsu através da família Grace. O jugitso se espalhou no Brasil por causa de uma família.
jiu-jitsu é família. Eu tenho quase certeza que a Raquel nem gostava de Jits, mas eu sei que ela hoje ama o que faz, ela faz o que ela faz por causa da família, porque assim ela passa mais tempo com o esposo. A minha esposa trabalha na academia também, meus filhos também. jiu-jitsu é família. Vocês são parte de uma de uma família e vocês como família precisam cuidar um dos outros. Se vocês fizerem isso, vocês serão imbatíveis, indestrutíveis e vão conquistar o mundo.
Eu quero deixar aqui uma reflexão entre tantas que a gente já fez, né? Eu quero desafiar vocês. Posso? Posso? Eu gostaria de voltar aqui ano que vem, se Deus permitir. Eu gostaria de ver isso aqui dobrado. Se cada um de vocês trouer um aluno, a gente dobra isso aqui. Mas quem vai trazer? Quem vai trazer? Oi. Vocês. Eles cuidam. Vocês trazem, vamos fazer de Timbó, a cidade do interior, uma das maiores potências de jiu-jitsu do estado. Quem acredita?
Hã? E os pais vão ajudar? Nós contamos com vocês, professores, parabéns pelo trabalho realizado aqui na cidade. Parabéns a todos que apoiam, pessoal da escola, pessoal do instituto. E muito obrigado por me receberem aqui com tanto carinho. Cada sorriso que eu recebo, cada aperto de mão, cada mensagem no Instagram, deixa o meu coração muito feliz. Hoje a aula foi diferente. Hoje a aula de jiu-jitsu é para abrir a nossa mentalidade. Obrigado por terem me recebido. Deus abençoe a todos e até uma próxima. Obrigado.
