Notícias · Outros · 27 fev 2025

ADAPTAÇÕES NA GRADUAÇÃO DE JIU-JITSU:

Uma abordagem terapêutica para inclusão de alunos autistas

Prof. LEANDRO VIEIRA

Faixa Preta 1º Grau AURUM

Advogado (FURB) e Professor de Educação Física (UNICESUMAR)

Neuroeducador pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

FIC em Educação Especial Inclusiva – FASUL

Acompanhante Terapêutico com enfoque em ABA – Flórida Tech (EUA) Instagram e Youtube:       @jiujitsucomproposito

RESUMO

O Jiu-Jitsu brasileiro, reconhecido por sua estrutura disciplinar e progressão rigorosa de faixas, tem se mostrado uma ferramenta eficaz na promoção do desenvolvimento físico e social de crianças e adolescentes. Para alunos dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a prática do Jiu-Jitsu pode oferecer benefícios significativos, especialmente quando adaptações específicas são implementadas para atender às suas necessidades únicas. Este artigo explora a justificativa terapêutica para que professores de Jiu-Jitsu considerem adaptações na graduação padrão, conforme definida pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) e Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ). Essas adaptações incluem o uso de reforçadores alternativos, como adesivos, bótons ou bordados em formatos atrativos, e a modificação da periodicidade das avaliações, com o objetivo de melhor incluir alunos autistas na modalidade.

  1. INTRODUÇÃO

O Jiu-Jitsu é uma modalidade de arte marcial amplamente praticada, destacando-se pelo seu sistema hierárquico de graduação.

No entanto, para alunos com TEA, esse modelo pode não ser suficientemente motivador ou adequado.

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) propõe estratégias que podem ser aplicadas na estruturação de um sistema de graduação personalizado para cada aluno autista.

Este artigo visa provocar professores e academias a pensarem sobre a possibilidade de personalizar graduações para alunos atípicos, que não violem os formatos já estabelecidos pela IBJJF, mas apenas complemente-os.

  • O Papel do Reforço Positivo no Desenvolvimento de Alunos Autistas

A ABA enfatiza o uso do reforço positivo para aumentar a freqüência de comportamentos desejados, ou diminuição e/ou extinção de comportamento disruptivos.

Reforçadores tangíveis como adesivos e símbolos visuais, podem ser mais eficazes para crianças autistas do que reforçadores sociais, como elogios verbais (Cooper, Heron & Heward, 2020).

  • Adaptações na Graduação: Incorporando Reforçadores Tangíveis

A progressão tradicional de faixas no Jiu-Jitsu pode não ser suficientemente motivadora para alunos com TEA. Implementar reforçadores alternativos, como adesivos e bordados com símbolos de inclusão, pode ser uma estratégia eficaz para incentivar comportamentos positivos e participação ativa (Leaf et al., 2015).

A IBJJ e CBJJ recomendam 3 formas de periodizar as avaliações dos alunos entre 4 e 15 anos, quais sejam:

Porém, nada impede que o professor que atenda alunos autistas realize avaliações ainda mais frequentes, desde que perceba que essa estratégia possa beneficiar o desenvolvimento e melhorar a aprendizagem do aluno.

Para isso, poderá fazer uso de reforçadores alternativos ou subtipos, como adesivos, bótons ou bordados em formatos atrativos e que tenham significado específico para cada aluno atípico.

Além disso, a modificação da periodicidade das avaliações poderá ter o objetivo de manter o aluno ainda mais motivado e engajado na conclusão de atividades, comportamentos-alvo ou mesmo diminuição e/ou extinção de comportamento disruptivos.

Enfim, utilizar subtipos de avaliações personalizadas que possam melhorar a motivação e engajamento de alunos atípicos nas atividades, conforme demonstrado por estudos sobre reforço imediato na aprendizagem de habilidades motoras e sociais (Kazdin, 2012).

  1. Considerações Finais

A implementação de adaptações na graduação do Jiu-Jitsu pode beneficiar significativamente alunos autistas, promovendo inclusão, desenvolvimento social e motivação, e desde que coexistam com as normas básicas de avaliação estabelecidas pela não violam nenhuma norma padrão.

Professores devem considerar abordagens individualizadas e baseadas em evidências para estruturar sistemas de reforço mais eficazes.

A adoção dessas práticas pode não apenas melhorar a experiência dos alunos com TEA, mas também contribuir para um ambiente mais inclusivo, alegre e motivador.

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  • Referências Bibliográficas
  • Cooper, J. O., Heron, T. E., & Heward, W. L. (2020). “Applied Behavior Analysis”. Pearson.
  • Kazdin, A. E. (2012). “Behavior Modification in Applied Settings”. Waveland Press.
  • Leaf, J. B., Taubman, M., McEachin, J., et al. (2015). “Applied Behavior Analysis and Autism Spectrum Disorder”. Springer.
  • Sundberg, M. L., & Michael, J. (2001). “The Benefits of Functional Communication Training in Children with Autism”. Journal of Applied Behavior Analysis.

Publicado originalmente no portal Jiu-Jitsu Brasil.